palavras do Guruji

Dani na estrada

viagens pelo mundo afora e pelo universo dentro de mim.



"Você não precisa viajar a um lugar remoto para buscar a liberdade; ela habita seu corpo, seu coração, sua mente, sua Alma. A emancipação iluminada, a liberdade, a pura e imaculada felicidade estão a sua espera, mas você precisa escolher embarcar na jornada interior para descobri-las."
B.K.S. Iyengar em Luz na Vida

23 de dezembro de 2011

UM 2012 COM MUITO MAIS AMOR!


No Natal da minha infância, o forte foi sempre o almoço do dia 25. Eu adorava: a família reunida lá na casa dos meus pais; a abertura dos presentes; as brincadeiras na rua com os vizinhos; as comidas deliciosas de Natal...
Minha família nunca foi a mais tradicional em relação ao servido à mesa: Perus, Chesters e “aves especiais” não faziam sucesso. O que me fazia salivar era o tender com abacaxi em calda; eu gostava da mistura do salgado do presunto com o doce do abacaxi.
Os anos se passaram, cresci, aprendi que tender é um preparado de carne defumada de porco morto e mudei meus hábitos alimentares.
Há mais de 10 anos, no Natal ou em qualquer outra data, não salivo por presuntos, salames, bifes, filés, postas ou medalhões feitos a partir da carne de animal algum.
No meu carro, colei o adesivo: Animais são amigos e não comida. Não dá pra pensar em matar meus amigos, nem mesmo quando alguém já fez o trabalho sujo e o amigo vem mortinho e limpinho no meu prato.
Nesse ano, o almoço natalino vai ser na minha casa. No cardápio, salada de quinua, bobó de pupunha, farofa de maracujá, arroz, furtas secas, castanhas, pavê de abacaxi, sorvete de creme.
Mas não consegui impedir: minha mãe vai preparar uma bacalhoada na casa dela pra levar no dia 25. Meus pais, meu irmão e minha avó adoram e eu não quis dar uma de chata.
Antes de servir o almoço, porém, vou sugerir uma oração para agradecermos àquela comida maravilhosa, à natureza por ser tão generosa, aos trabalhadores que garantiram que a comida estivesse à mesa e principalemente à aquele bacalhau que deu a própria vida para alimentar parte da minha família nesse Natal.

BOAS FESTAS E UM 2012 COM MUITO MAIS AMOR, GENTILEZA E COMPAIXÃO!

Receitas:
• Bobó e farofa: Michele Maia do blog Vegê Gourmê http://michelevege.blogspot.com
• Pavê de abacaxi e salada de quinua: livroCozinha Natural Gourmet – A Culinária de Tatiana Cardoso e o restaurante Moinho de Pedra”.

Alguns números assustadores:
Matéria do site português http://www.centrovegetariano.org/

Animais abatidos em 2003 (por ordem decrescente):
- Galinhas e frangos: 45 biliões e 900 milhões
- Patos: 2 biliões e 260 milhões
- Porcos: 1 bilião e 240 milhões
- Coelhos: 857 milhões
- Perus: 691 milhões
- Gansos: 533 milhões
- Carneiros, ovelhas, cordeiros: 515 milhões
- Cabras: 345 milhões
- Bois, vacas, vitelos: 292 milhões
- Roedores: 65 milhões
- Pombos e outras aves: 63 milhões
- Búfalos: 23 milhões
- Cavalos: 4 milhões
- Asnos, mulas, machos: 3 milhões
- Camelos e outros camelídeos: 2 milhões

A soma de todos estes números prefazem um total de mais de 50 bilhões de animais, sem ter em conta os animais aquáticos (peixes e crustáceos).
Os números referem-se apenas aos animais abatidos nos matadouros. Excluem-se os animais de criação extensiva (geralmente para consumo doméstico) assim como os que são alvo da caça.
Tendo em conta que um omnívoro consome em média 95 animais por ano e que a população mundial não-vegetariana é de biliões, depreende-se que o número exacto de animais mortos para a alimentação humana será muito superior àquele que os dados da FAO nos fornece. Sabe-se que só nos EUA se consomem anualmente mais de 10 biliões de animais.
Sendo que a esperança média de vida em Portugal é de 75 anos, um omnívoro consome cerca de 7100 animais durante a sua vida
.

crédito da imagem: Google images



14 de dezembro de 2011

Parabéns querido Guruji*!


14 de Dezembro é uma data muito especial pra comunidade do yoga. Hoje B.K.S. Iyengar completa 93 anos de idade; 77 anos de prática constante e 75 como professor!
Bellur Krishnamachar Sundararaja (BKS) Iyengar nasceu no dia 14 de Dezembro de 1918 em Bellur, Índia. Sua infância foi muito difícil: ele foi vítima de malária, febre tifoide e tuberculose.
Aos 16 anos, foi introduzido ao yoga pelo seu Guru e cunhado, Sri T. Krishnamacharya e aos 18, foi mandado pra Puna, no Estado de Maharashtra, para ensinar e difundir o Yoga, pois sabia um pouco de inglês.
Sem a presença e os ensinamentos do seu Guru, em Pune Iyengar teve que embarcar na jornada interior sozinho, se dedicando com total comprometimento e sinceridade à sua pratica pessoal e aos alunos.
Mesmo pra quem não pratica Yoga, é emocionante ver B.K.S. Iyengar no Ramamani Iyengar Institute, em Puna, onde ele mora e ensina. Na última vez que estive lá, em 2009, todas as manhãs eu me surpreendia com sua presença na sala de prática fazendo asanas em longas permanências. Em Junho último, Iyengar esteve na China, onde aos 92 anos, ensinou multidões com energia e disposição indescritíveis. Muito inspirador!
Com eterno carinho e gratidão, felicito B.K.S. Iyengar!
* Guruji é uma maneira carinhosa de chamar o Guru (Mestre ou professor que dissipa a escuridão).

27 de novembro de 2011

Pranayama: trampolim em direção a vida espiritual


Começamos hoje a última semana de Novembro e em nossa pratica de ioga, iniciamos a semana de pranayama.
Em sânscrito, prana é energia vital e ayama é criação, distribuição e manutenção. Logo, pranayama é a ciência da respiração, que leva a criação, distribuição e manutenção da energia vital.
B.K.S. Iyengar em seu livro “A árvore do Ioga” faz uma analogia entre pranayama e as folhas das árvores. Ele diz: “como as folhas que arejam a árvore e fornecem nutrição para que seu crescimento seja saudável, também o pranayama alimenta e areja as células, os nervos, a inteligência e a consciência do sistema humano.” Bonito, não?
Traduzo aqui um artigo sobre pranayama da revista Yoga Rahasya vol. 18 nº 3, 2011.

Pranayama: trampolim em direção a vida espiritual

Quando somos ensinados a fazer pranayama, começamos observando nossos pulmões. Dizem a você que exale. Por que exalar primeiro? Você rastreia a origem do seu corpo interior enquanto exala. No momento em que você exala, alcança o âmago. O âmago é a força vital. Todos os sentidos alcançam esse núcleo.

Por exemplo, temos um copo cheio de água. Posso ainda usá-lo? Já está cheio. Preciso esvaziá-lo primeiro. Quando primeiro exalamos, esvaziamos tudo dentro, de modo que a carga da mente, que detém apertado, é esvaziada. Quando você começar a inalar, observe o formato dos pulmões.

Posso ainda usar esse copo? Já está cheio.
Preciso esvaziá-lo primeiro. Quando primeiro exalamos, esvaziamos tudo dentro

Como os pés devem estar estáveis nos asanas, a coluna precisa estar estável durante os pranayamas. A coluna tem a função dos pés em uma postura sentada. A base da coluna se torna os pés. Assim é como a discriminação (habilidade de escolher o melhor percebendo pequenos detalhes) começa. Pranayama não é apenas sobre inspiração e exalação se você nem sabe como se sentar. A coluna deve estar estável.

em uma postura sentada, A coluna tem a função dos pés.
A base da coluna se torna os pés. A coluna deve estar estável em pranayama

O segredo do pranayama:

Quando você inspira, a inspiração começa no centro e depois move-se para os lados. Se você observar os pulmões, vai ver que eles estão apenas metade cheios. O diafragma normalmente se movimenta verticalmente. Em pranayama, ele se move horizontalmente. A ciência médica ainda não sabe disso. Precisamos deixar o diafragma como um piso plano. Se o piso é inclinado, não podemos andar. Você consegue andar somente em um piso plano e reto. Da mesma forma, você tem que tornar seu diafragma plano.

O diafragma normalmente se movimenta verticalmente. Em pranayama, você deve move-lo horizontalmente

O diafragma é fixado nas costelas flutuante. Com a inspiração, a respiração tem que mover-se a partir da superfície interna. Temos 12 pares de costelas. Quando você inspira, você tem que sentir se a respiração está tocando costela por costela e ao tocá-las, se está criando espaço entre elas através dos músculos intercostais. Quando a respiração toca esses espaços é uma inspiração completa.

Você precisa aprender que isso é o ponto de partida do conhecimento espiritual. Esse copo está cheio de água. Se eu esvaziar a água, ele estará vazio, mas cheio de ar. No momento que colocarmos água, ela entra e o ar sai. Pergunte a si mesmo: quando você inspira, o que dá espaço para  respiração entrar? O que sai quando a respiração entra?

Quando você inala o âmago do ser sai para que a respiração entre. Isso é conhecido como inspiração - trazer energia para dentro. A consciência (awareness) dá espaço para a energia entrar. Em linguagem filosófica, a alma sede espaço, o ser sede espaço para a respiração entrar. Da mesma forma que o ar sai do copo, o ser se move para a respiração entrar. No fim da inspiração, o ser e a respiração tocam as extremidades. Quando isso acontece, temos kumbhaka – retenção. Kumbhaka não significa apenas prender a respiração. Kumbhaka nos faz entender a comunhão da respiração com o ser. Enquanto a respiração está unida com o ser, tem-se o verdadeiro kumbhaka.

QUANDO INALAMOS, O ÂMAGO DO SER SAI PARA A RESPIRAÇÃO ENTRAR

KUMBHAKA É COMUNHÃO DA RESPIRAÇÃO COM O SELF

QUANDO EXALAMOS, O AMAGO DO SER VAI PARA SEU ESTADO ORIGINAL

Pranayama é o trampolim para a vida espiritual.

Asana prepara você para pranayama e pranayama te guia em como fazer o asana. Depois de uma inspiração completa, você segura a respiração. É como o encontro entre amante e o ser amado, que na ciência do ioga chamamos do encontro entre prakrti e purusha. Dizemos, exale. E quando exalar, veja a beleza disso. Você solta a respiração e ao soltar a respiração, o âmago do ser vai para seu estado original. Você não deve olhar para a respiração saindo, mas observar como o âmago do ser está retrocedendo para o corpo. Quando a respiração está saindo e quando a alma alcança sua morada, você não pode exalar mais. Isso significa que prakrti mudou-se junto com a alma perto da morada do ser. Exalação é a união da natureza com a alma. Na inalação, o ser expandindo-se, dando espaço para a respiração entrar é purusha. Na retenção da inalação o ser e purusha são um. Na exalação é o oposto. A natureza entra em contato com o ser. Isso é pranayama.

Pranayama tem três movimentos. Inalação, retenção e exalação. É muito interessante perceber a semelhança entre pranayama e o criador, o protetor e o destruidor. Inalação é o gerador de energia conhecido como Brahma. O protetor é Vishnu. Você segura a respiração fazendo com que essa energia proteja totalmente o império da alma. O trabalho de kumbhaka é proteger, por isso é conhecido como Vishnu. O destruidor é conhecido como Maheshwara-Shiva. Se você prender a respiração viciosa, você morre. Da mesma forma, exalamos para que o ar que não é bom para a saúde seja jogado fora. Pranayama cobre Brahma, Vishnu e Maheshwaha. Essa é a beleza do pranayama.

Pranayama tem três movimentos: Inalação, retenção e exalação. tem sEMELHANÇA COM O CRIADOR (BRAHMA), O PROTETOR (VISHNU) E O DESTRUIDOR (SHIVA).

Nós armazenamos energia depois de aprender e de fazer pranayama. Nós armazenamos água e em seguida vamos irrigar a terra. Da mesma forma, pranayama armazena energia e essa energia armazenada deve ser utilizada. Essa energia armazenada é então utilizada para suprir o corpo todo.

A pratica de asanas faz dois trabalhos. Antes de pranayama, faz os pulmões elásticos para armazenar energia como um reservatório. E depois dos pranayamas, levam essa energia armazenada aos vários sistemas do corpo. Assim você guia a respiração em como mover-se nos asanas depois de aprender pranayama. É assim que asana e pranayama trabalham complementarmente um ao outro. Em pranayama, o campo e o conteúdo do campo andam juntos como marido e mulher andam juntos. Nesse estado, você está em meditação e não apenas sentado quieto.

Silêncio ativo é meditação. Prayatna saithilya ananta samapattibhyam é o efeito de asana. Quando Patañjali usa as palavras prayatna saithilya – quando a pratica de esforço torna-se sem esforço você experimentará o estado de infinito. Em uma frase o efeito é indicado como tato dvando anabhigatah – as dualidades desaparecem.

A mente desempenha um papel duplo. A mente é como um oficial de relações públicas em nosso sistema. O trabalho desse oficial de relações públicas é satisfazer o cliente e ao mesmo tempo satisfazer o proprietário. A mente tem um papel semelhante. O que é isso? Ela tem que satisfazer as demandas dos sentidos da percepção e curtir os prazeres do mundo e por outro lado ela quer agradar o proprietário, o ser. De acordo com Patañjali, ela desempenha papel duplo. Ela quer satisfazer os sentidos e ela também quer satisfazer o ser. Então a pratica de asana faz com que os sentidos de percepção movam-se para dentro e a mente então “dá meia volta” na pratica. Assim que “dá meia volta”, ela se esquece do outro lado, do lado de fora. Patañjali diz que assim a dupla função da mente desaparece e apenas uma mente única permanece. Por tornar-se uma mente única, torna-se a mente cósmica e universal em cada indivíduo. Isso é o que o yoga nos ensina.

Transcrição editada de uma palestra do Guruji BKS Iyengar em Pequim, China, Junho 2011.


10 de setembro de 2011

A mãe de todos os asanas



Estou cada vez mais fascinada pelas posturas invertidas! Em Iyengar Yoga damos muita importância a elas e procuramos permanecer nelas por algum tempo para que os efeitos sejam mais eficazmente vivenciados. Aqui, publico uma tradução livre dos efeitos de Salamba Sarvangasana (Salamba = Suporte e Sarvangasana = Corpo Todo) do livro “Yoga, a gem for womem”, de Geeta Iyengar. Boa leitura e principalmente boa prática!
 

"Salamba Sarvangasana é um dos asanas mais benéficos. Se Sirsasana é o Rei, Sarvangasana é a Rainha de todos eles.
Enquanto Sirsasana desenvolve as qualidades masculinas de força de vontade, de nitidez do cérebro e da clareza de pensamento, Sarvangasana desenvolve as qualidades femininas de paciência e de estabilidade emocional. É considerado a mãe dos asanas.
Como uma mãe que luta a vida toda pela felicidade dos seus filhos, a mãe dos asanas, se esforça pela paz e pela saúde do corpo. Não é exagero chamar esse asana de ‘Trailokya Cintamani’, 'uma rara jóia entre os 3 mundos’.
Salamba Sarvangasana, como o nome indica, tem um efeito sobre todo o sistema. Devido à posição invertida, o sangue venoso é levado ao coração para purificação sem qualquer tensão por causa da força da gravidade. Sangue oxigenado circula na região do peito, aliviando falta de ar, asma, bronquite, doenças na garganta e palpitações. A postura ajuda muito em condições de anemia e no caso de baixa vitalidade.
Devido ao forte bandha entre o alto do peito e o queixo, as glândulas tireóide e paratireóide obtém ampla quantidade de sangue, aumentando assim a sua eficiência na manutenção do corpo e do cérebro em bom equilíbrio. Porque a cabeça permanece firme devido ao bandha, os nervos e o cérebro se acalmam, e a dor de cabeça desaparece. Doenças comuns como resfriados e distúrbios nasais são curados através da pratica desse asana.
Sarvangasana é extremamente calmante para o sistema nervoso e, portanto, é bom pratica-lo quando se está tenso, triste, irritado, cansado, ou quando sofrendo de esgotamento nervoso e insônia.
É uma excelente ajuda para a digestão e eliminação, para libertar o corpo de toxinas, para livrar de constipação, para curar úlceras intestinais e colites. Corrige distúrbios urinários e menstruais e deslocamento uterino. Traz paz, força e vigor para o praticante e é recomendado como o melhor tratamento de recuperação após uma doença prolongada.  
Para evitar doenças prolongadas e para manter uma saúde robusta, pratique Sarvangasana."

Guruji em Salamba Sarvangasana. Imagem # 234 de "Light On Yoga", de BKS Iyengar (pág. 212)
 

9 de setembro de 2011

horários Iyengar Yoga

A partir de Setembro, os horários e escolas onde dou aula são os seguintes:

2ª feira:
10h às 11h15 Centro de Iyengar Yoga São Paulo. www.centroiyengaryoga.com.br, tel. 3862.0158.

3ª feira:
19h às 20:30 Gam Yoga. Rua Fradique Coutinho, 1004, Vila Madalena, tel. 3034.3953.

4ª feira:
8h às 9h30 Gam Yoga. Rua Fradique Coutinho, 1004, Vila Madalena, tel. 3034.3953.
19h30 às 21h Gam Yoga. Rua Fradique Coutinho, 1004, Vila Madalena, tel. 3034.3953.

Informações sobre aulas particulares ou para pequenos grupos fechados, mande um e-mail para daninaestrada@gmail.com

2 de agosto de 2011

Minha Blacons 2011

Já estou menos cansada das 24h pra chegar aqui há 2 dias! Blacons é mesmo um lugar especial: o céu está azul - apesar do vento agora que traz nuvens e talvez chuva - é verão na França, está tudo florido, os passarinhos estão cantando... E o Faeq é sensacional! Começamos as praticas às 7h e até 10h30 temos asanas - basicamente aberturas -, em seguida uma pausa para o chá ou café. Às 11 e pouco começa os pranayamas, até o almoço às 13h. Retornamos às 16h30 para mais pratica de asanas - desta vez mais forte com as invertidas. Em seguida, jantar às 8 e pouco - que ainda está claro - e cama. O sonho de qualquer praticante de yoga!!!!!!
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27 de julho de 2011

25 de julho de 2011

ASATO MA e MAHA MRITYUNJAYA

Mantras fortíssimos e belíssimos que costumo vocalizar:

Pra finalizar as aulas de yoga: Asato Ma

OM ASATO MA SAT GAMAYA
TAMASO MA JYOTIR GAMAYA
MRITYOR MA AMRITAM GAMAYA
OM SHANTI SHANTI SHANTI

Da ignorância, conduza-me à verdade.
Das trevas, conduza-me à luz
Da morte, conduza-me à imortalidade.
Om, paz, paz, paz.

Ainda pra finalizar as aulas:

LOKA SAMASTA SUKINO BHAVANTHU

Que todos os seres sejam felizes
Que todos os seres habitem na paz

Costumo vocalizar MAHA MRITYUNJAYA mantra como Japa (repetidas vezes) para invocar a proteção de Shiva em situações de perigo, tipo no avião nas decolagens e aterrissagens ou durante uma viagem longa de taxi na Índia (rsrs).

OM TRYAMBAKAM YAJAMAHE
SUGANDHIM PUSHTI VARDHANAM
URVARUKAMIVA BANDHANAM
MRTYOR-MUKSHIYA MAMRITAT

Abrigue-me Senhor Shiva
Abençoe-me com saúde e imortalidade
Proteja-me das garras da morte

28 de junho de 2011

a doença como caminho



Através de uma menina que me acompanha aqui, conheci o blog de uma professora de Iyengar de Portugal e encontrei esse vídeo em uma das postagens dela. Guruji conta que começou a praticar porque tinha uma saúde péssima na infância.
"I was born with a gift of illnesses, one after other, from birth. So those gifts of unfortunate ill health made me to take to yoga..."
Ele chama de presente sua má saúde na infância! Inspirador!

Como não achei uma versão com legendas em português, aqui vai minha tradução.

Locução:
Entre todos os mestres de yoga, BKS Iyengar tem atuado o papel mais significativo em relação à introdução e disseminação do yoga no Ocidente.

BKS Iyengar:
“Nasci com o presente de doenças, uma após a outra, desde o meu nascimento. Esse presente de má saúde me fez começar com yoga.
Sofri de influenza, malaria, tuberculose, febre tifóide entre outros males. Então pensei: vale a pena viver dependendo de alguém para sempre?
Afortunadamente aos 16 anos, porque eu também não tinha frequentado a escola regularmente por causa dos problemas de saúde, meu cunhado, o marido de minha irmã (Krishnamacharya), que tinha voltado do Norte, me falou: ‘por que você não faz alguma yoga? Você pode melhorar.’ Eu acreditei e comecei com yoga. Levou 6 anos para melhorar minha saúde."

Locução: Mas foi depois de um dos pupilos de Krishnamacharya desaparecer antes de uma demonstração importante que o destino de Iyengar mudou completamente. Ele era a única esperança como substituto e Krishnamacharya começou a ensiná-lo seriamente pela 1ª vez.

BKS Iyengar:
“Eu sai em tour com ele em 1936 para o norte do estado de Karnataka, onde um cirurgião, Dr. V.P. Gokhale, viu minha demonstração, ficou muito impressionado e me convidou pra vir para Puna. Então eu vim em 1937 e tive que trabalhar do zero por conta própria, porque a responsabilidade era muito alta: como apresentar yoga para o público? Tive que trabalhar muito, porque yoga era um assunto muito seco, nos anos 30 e 40 não havia nenhum interesse em yoga. Logicamente hoje é bem diferente.”

Locução: Ensinar yoga provinha uma vida muito modesta para a família de Iyengar. Sua esposa, Ramamani, se tornou um grande suporte na devoção dele ao yoga.
Ele usou seu próprio corpo para desenhar e refinar posturas avançadas, asanas detalhados precisamente, e o uso de acessórios tornou-se a sua assinatura. As inovações do Iyengar tornaram o yoga acessível a praticantes de todos os níveis.

BKS Iyengar:
“As pessoas tinham suas próprias maneiras de apresentar o yoga. Quando eu olhava os livros nos meus anos de iniciante, eles falavam de Sirsasana (inversão sobre a cabeça), de Sarvangasana (inversão sobre ombros) ou Halasana (Arado). Falavam: ‘as pernas devem estar estendidas ou as pernas não devem estar estendidas. Em Sirsasana as pernas devem ficar perpendiculares, ou elas devem mover-se para esse ou aquele lado...’ E eu pensei, o que é isso? Eles escrevem uma coisa, mas nem observam as ilustrações, nem observam se o que eles dizem acontece mesmo.
Por isso pensei que eu deveria fazer alguma coisa para tornar as pessoas
atraídas pelo assunto. Como quando você faz uma salada saborosa, tive que acrescentar muitos ingredientes na salada do yoga para que as pessoas se interessassem por ele.”

Locução:
Através do tempo, Iyengar criou variações terapêuticas de posturas para curar. Não importa em que estilo os professores foram treinados, todos creditam o trabalho do Iyengar pelo alinhamento do corpo, precisão das posturas e as diversas variações.

BKS Iyengar:
“Somente em 1954, fui para a Inglaterra, pela primeira vez e pela influência de Yehudi Menuhin, porque eu estava ensinando ele e um monte de intelectuais o admiravam e começaram a pensar que devia ter alguma coisa naquilo que ele estava fazendo.
Então comecei a ensinar para os intelectuais do Ocidente, e através deles, cheguei nas pessoas da classe média, até tornar o yoga popular.
Somente em 1973 quando Yehudi Menuhin sugeriu para Mary Palmer, porque ela era musicista e havia uma boa relação entre eles, ele falou: vá aprender com ele,
e assim você vai entender o que é yoga.’ Então ela veio, aprendeu e me convidou (para ir aos EUA). Mary Palmer é minha velha aluna.”

Mary Palmer (professora de Yoga, introduziu Iyengar nos EUA):
“A influência mais positiva foi talvez o fato deste livro (Light on Yoga) ter chegado as minhas mãos, ele me levou a me encontrar com o Sr. Iyengar.”

BKS Iyengar:
“O Ann Arbor YMCA, me deu na época um ótimo começo, com publicidade e tudo mais.
Organizei demonstrações, aproveitei a oportunidade e apresentei o yoga aos
americanos.”

Patrícia Walden, professora de yoga
“Tinha tanta eletricidade na sala, que para mim abriu um novo mundo, porque pela primeira vez na vida senti como se eu fosse vista por um professor espiritualizado. Ele se importava em como estávamos praticando, e ele estava determinado a fazer com que a gente entendesse seu método em um curto período de tempo.”

Mary Palmer e Priscilla Néel, professoras de yoga, introduziram o método nos EUA.
“Guruji era um professor fantástico! E isso não era apenas apreciado pelos seguidores de yoga, mas por pessoas que apareciam apenas para vê-lo ensinar.”

BKS Iyengar:
“Há uma diversidade em nosso corpo, e quando podemos trazer esse corpo diverso a um estado de união singular, a pessoa que faz a si mesmo, tendo percebido a diversidade e tendo trazido a unidade pra diversidade, naturalmente é muito fácil para ela propagar a arte do yoga. Como levar a diversas pessoas o pensamento único de entendimento da inteligência que flui no corpo, o entendimento do prana que cria essa energia para a inteligência iluminar mais e mais. Eu acho que o yoga é o único assunto em que a universalidade pode ser construída nas diversas formas de vida.”
“COMECEI POR MINHA SAÚDE, E DEPOIS O YOGA TORNOU-SE UM DEDICADO SERVIÇO PARA A HUMANIDADE.”

17 de junho de 2011

Nós

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Teotihuacan

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Hoje fomos conhecer as pirâmides de Teotihuacan em uma excursão turística. Não sou lá muito adepta dessas excursões com guias, mas depois de hoje estou considerando mudar de opinião. Foi maravilhoso: o guia (Javier, um professor de história aposentado), as outras duas pessoas no grupo (uma colombiana bem novinha e uma francesa de 50 e poucos anos) e o motorista Daniel pareciam que tinham sido escolhidos por minha alma (como Ram Dass fala- veja o post anterior). As pirâmides também são incríveis e ainda guardam muitos segredos. Elas pertenciam a uma cidade antiga, que no ano 500 DC, no seu auge, teve 200 mil habitantes.
Mais tarde os astecas encontraram as pirâmides e a cidade completamente abandonadas e acreditaram maravilhados que aquele lugar era sagrado. Por isso, o chamaram de Teotihuacan, lugar onde os deuses são feitos.
O complexo fica em um vale rodeado por montanhas e é impressionante ver a simetria da construção (pra mim, uma apaixonada por Iyengar yoga, tamanha simetria impressionou ainda mais rsrs). A maior das pirâmides, a do Sol, tem 65 metros e a subida deixa qualquer um com a língua de fora, mas vale muito a pena, a vista lá de cima é linda! A pirâmide da Lua é mais baixa, tem uns 45 metros e não é permitida a subida ao topo, mas os degraus são enormes, o que dificulta bem a brincadeira.
O interessante é que o sítio arqueológico foi encontrado por acaso quando estavam construindo uma estrada na região. Os operários se depararam com morros e quando iniciaram as obras encontraram as pirâmides, que estavam completamente cobertas por terra e vegetação.

Nascimento do Sol e da Lua
Contam que em uma ocasião bem no início dos tempos, todos os deuses estavam reunidos em meio a profunda escuridão decidindo qual deles iria iluminar a Terra recém criada. Dois deuses se prontificaram e foi estipulado que uma prova definiria o vencedor. Eles tinham que correr e saltar dentro do fogo. O deus mais rico e prepotente quis ser o primeiro, mas não conseguiu saltar no fogo em 3 tentativas. O outro deus, mais humilde, tentou em seguida e na 1a tentativa saltou no fogo. De lá saiu uma bola de fogo enorme, nascia assim o Sol. O outro deus irritado correu até o fogo e saltou, criando outra bola de fogo, menor, nascia a Lua. Como castigo a atitude dele, os outros deuses pegaram um coelho e bateram na Lua formando as manchas na superfície dela.

16 de junho de 2011

Awareness

Ontem assisti no YouTube o vídeo Awareness (ciência, conscientização), com Ram Dass, onde ele fala que nós, como almas, escolhemos as circunstâncias e as pessoas com as quais nós vamos nos relacionar, desde nossos pais e familiares, até mesmo aqueles que cruzamos na rua. Ele é um figuraço e vale assistir! Infelizmente não encontrei uma versão com legendas em português.

13 de junho de 2011

Acima das nuvens...

... é sempre o azul do céu!
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Sobrevoando a região de Guanajuato na chegada em Salamanca, no México.

10 de junho de 2011

...

Ontem foi o aniversário de uma amiga querida da adolescência e me percebi questionando: quem eu seria sem minhas memórias do passado?

3 de junho de 2011

cosas que me encantan en Buenos Aires

• praticar com Marina Chaselon (www.yogamarina.com.ar).
• passear pelas ruas de Palermo Viejo e Hollywood.
• céu azul, sol e uma temperatura de 10ºC.
• Submarino (barra de chocolate derretida em uma caneca de leite quente) no Voltaire Coffe & Deli.
• jantar no Bio (www.biorestaurant.com.ar).
• desayuno do Solar Soler (www.solarsoler.com.ar) com medialunas e dulce de leche, tudo de bom!
• Papelera Palermo (www.papelerapalermo.com).
• Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires – www.malba.org.ar).
• praças da Recoleta.
• restaurante Krishna na Plaza Palermo Viejo.
• bolsas da tienda Puro (http://www.zapatillaspuro.com.ar/).


uma das salas do Krishna

uvas na varanda do Solar Soler

nova loja da Papelera Palermo



30 de maio de 2011

Manouso Manos no Rio

Sábado e domingo passado, das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 17:00 na Rampa em Copacabana. Muito gostoso!

Todos nós sorridentes em volta do Manouso (sentado de camiseta polo branca) no final do workshop.

27 de maio de 2011

um mantra

... tão bacana o clipe da "Oração"! Virou febre na internet e um amigo querido que mora na Irlanda mandou dizendo que lembrou de mim quando viu. É um mantra vocalizado como kirtan em português, sensacional! A banda é a mais bonita da cidade.
no youtube vc confere em http://youtu.be/QW0i1U4u0KE

23 de maio de 2011

elucubração

Dia desses, estava engatando a 1ª para arrancar logo que o farol abriu e ouvi o carinha que vende bala passando entre os carros reclamando alto e bravo que só passava gente muquirana naquela rua. Achei interessante...
Somos muquiranas porque não quisemos comprar aquela bala horrorosa entupida de açúcar e corante, foi isso? Se ele vendesse algo mais convidativo, em vez de apelar para o bom coração humano com a frase “compre para me ajudar”, talvez as vendas melhorassem. Desse jeito soa como um pedido de esmola disfarçado; ele pede um trocado fingindo que está vendendo alguma coisa. E não é sempre que as pessoas dão esmolas — isso simplesmente não funciona em todos faróis vermelhos.
As pessoas compram o que precisam e na maioria das vezes, o que não precisam, mas querem muito. Então, quem vende precisa ter a sensibilidade para oferecer o que o outro quer muito. O que faria aquela mulher dentro do carro abrir a bolsa, pegar a carteira, descer o vidro e chamar o vendedor? E aquele rapaz da moto ao lado, o que ele compraria naquela hora?
Nas relações comerciais é assim que funciona. Eu vendo algo que você quer e você compra. Se eu vendo algo que ninguém quer, ninguém compra e ponto final. Posso tentar convencer as pessoas a comprar, mas certamente não o farei chamando todo mundo de muquirana no meio da rua.
Ok, talvez eu esteja sendo um pouco dura com o carinha. Talvez ele apenas estivesse passado por um dia ruim, mas não pude evitar todas essas elucubrações sobre como ele reagiu quando ninguém quis comprar as balas, que talvez nem ele mesmo comprasse se estivesse do outro lado do vidro do carro.
Ele continua achando que todos deveriam comprar só para ajudar por estar acostumado com um raciocínio assistencialista, onde eu peço e espero a boa vontade do outro para me dar. Às vezes funciona, mas nem sempre, e quando não, continua culpando os outros em vez de bolar algo diferente para vender e ter mais chances de sucesso.

18 de abril de 2011

AcroYoga

Já ouviu falar? Segue a definição do site oficial (http://www.acroyoga.org/about.cfm)
“O AcroYoga combina a sabedoria espiritual do Yoga, a bondade amorosa da Massagem Tailandesa e o poder dinâmico da Acrobacia. Essas três linhagens antigas formam a base de uma prática que cultiva a confiança, cumplicidade e diversão.”

Onde: Pratique Yoga, escola da minha querida amiga Nicole Rodrigues e da Adarsha.
Quando: Sábado, 16/4/2011.
Com quem: Surya Mayi (grande amiga das antigas) e Justin Bench.

Pra começar, mantras e alguns asanas. Depois nos dividimos em trios de acordo com altura e peso: um de nós é a base, o outro, o voador e o terceiro é o anjo, que garante a segurança e a comunicação. Todos nós experimentamos as três funções, e todas elas são muito bacanas! Foi incrível, tanto dar a estrutura para minhas companheiras voarem, quanto fazer Dhanurasana no ar ou estar ali pra garantir o vôo delas.
Tinha ouvido dizer — confesso que sem entender direito — que Acro Yoga cultiva o senso de comunidade. Lá no workshop, logo depois de termos nos dividido em trios, Justin veio com uma explicação bem interessante: “dois formam uma relação e três, o começo de uma comunidade”. E foi muito bacana quando acabou o workshop, senti uma conexão enorme com aquele grupo de pessoas — algumas delas velhas conhecidas, mas outras que tinha acabado de conhecer três horas antes.


As fotos são de Juliana Cibim, que está voando de camiseta preta

17 de abril de 2011

Só isso, tudo isso

Um dia desses, uma amiga comentou que seu maior desafio é conseguir meditar. Fiquei pensando nisso...
Lembrei das palavras da querida mestra Karin O'Bannon durante o primeiro retiro que fiz com ela em Florianópolis há uns dois anos. Na programação, todos os dias de manhã antes da prática de pranayama, dispúnhamos de 40 minutos facultativos para meditação. Isso é, aparecia quem quisesse e a Karin não conduzia a pratica, nem mesmo participava da meditação.
No começo da primeira pratica de panayama, logo depois da invocação à Patanjali, Karin falou sobre suas impressões sobre nossa “meditação” (coloco entre aspas, porque não acredito que alguém estivesse de fato meditando, estávamos treinando Dharana, concentração. Usamos a palavra Dhyana, meditação, tanto para o treino que nos leva à ela, como para ela em si).
Karin observou que depois de 40 minutos com as pernas cruzadas no chão muita gente estava “brigando” pra “meditar”, lutando pra manter o corpo ereto e a mente passiva...
Brigar pra conseguir passividade?
Acredito que durante o treino de meditação, como nos pranayamas, não deve haver luta. Se existe uma briga, já saímos completamente do estado receptivo que buscamos nessas praticas. Não é uma prova ou algo que devemos colocar um monte de imposições, intenções e tensões. Nesse caso, já estamos fora!
Apesar de não ensinarmos técnicas de meditação sentada na prática de Iyengar Yoga, para uma das minhas mais queridas alunas, abri uma exceção. No final de toda pratica, depois de um longo relaxamento final e depois de ter preparado bem as costas dela com os asanas, nos sentamos por 10 minutos em silêncio.
As costas não tocam o encosto da cadeira e mantemos a coluna ereta, ísquios bem apoiados no assento, pés no chão, mãos repousando sobre um cobertor dobrado para dar espaço para ombros girarem para trás e para baixo. Cabeça em linha com a bacia. Observamos a respiração e tudo que vier à mente sem tensão, sem julgamento. Com suavidade, conduzimos a atenção novamente para a respiração toda vez que percebemos que nos desviamos dela. E assim ficamos com a mente quieta, espinha ereta e o coração tranqüilo. Só isso, tudo isso!


Carminha, uma de minhas alunas mais entusiasmadas com o yoga, tem 83 anos

6 de abril de 2011

insight

Um dia, ela acordou e sentiu-se diferente. O despertador nem tinha tocado, faltava muito pra hora de acordar. Não teve pesadelo nem sonho, não sentiu vontade de fazer xixi, não ouviu som algum. Apenas acordou mais cedo. Apenas sentiu-se diferente.
Durante o café da manhã com o namorado não abriu a boca pra pronunciar palavra, apenas comeu pão e tomou um chá. Nem o jornal abriu. Não acariciou o gato malhado do vizinho, não disse bom dia pro porteiro, não pegou o ônibus pra faculdade. No meio do caminho a pé, resolveu dar meia volta e matar aula.
Parou na praça. Primeiro andou um pouco próxima às babás, bebês, e passeadores de cachorros. Depois sentou em um banco e ficou ali sentindo-se diferente.
No seu silêncio, ouviu alguns latidos, passos se aproximando e se afastando, fragmentos de conversas, chorinho de criança. Sentiu saudade de coisas que nunca teve: o cachorro carente louco pra passear; o bebê carequinha e fofinho; a casa no sítio no interior...
Ficou ali lembrando de tudo isso: das vacas pastando e galinhas ciscando. Lembrou das enormes mangueiras pintadas de manga e das jabuticabeiras “enverrugadas”. Sentiu a água fresquinha da lagoa cheia de peixes e se assustou com os gansos de cabeça rente ao chão prontos pra atacar. O touro Nelore com aquela “corcova”, o cupim, apareceu em passos lentos, despreocupado atrás de suas vacas.
Cupim. Lembrou da churrascaria na esquina do prédio onde mora e das gentes comendo cupins, picanhas, maminhas... Sentiu uma tristeza enorme. A saudade manchou-se de sangue. Sangue das vacas, porcos e aves nos matadouros, sangue nas mãos e nos olhos dos funcionários mal tratados na hora do abate.
Pensou que no dia seguinte tudo voltaria ao normal: acordaria com o despertador às 6, conversaria com o namorado, brincaria com o gato gorducho, daria bom dia, pegaria o ônibus, iria pra aula... Só não comeria carne nunca mais!

3 de abril de 2011

As oito pétalas do Yoga segundo B.K.S. Iyengar


O yoga tem 8 pétalas que se revelam gradualmente ao praticante. Consistem em disciplinas éticas externas (yama), observâncias éticas internas (niyama), posturas, (asana), controle da respiração (pranayama), controle e recolhimento dos sentidos (pratyahara), concentração (dharana), meditação (dhyana) e absorção no êxtase (samadhi). Chamam-se 8 pétalas porque se combinam como as pétalas de uma flor de lótus para formar um bonito todo.
(...) A jornada do yoga começa com os cinco mandamentos éticos universais (yama). Dessa maneira, aprendemos a desenvolver controle sobre nossas ações no mundo externo. A jornada prossegue com cinco etapas de autopurificação (niyama). Estas estão associadas ao nosso mundo interno e aos sentidos da percepção e nos ajudam a desenvolver a autodisciplina.
A 3ª pétala do yoga é a prática de posturas (yogasana). O asana conserva o vigor e a saúde do corpo, sem o que as chances de progresso são poucas. Também mantém o corpo em harmonia com a natureza. Todos sabemos que a mente afeta o corpo. Por que não tentar, sugere o yoga, fazer o contrário — acessar a mente por meio do corpo? (...) Em outras palavras, vamos tentar usar o asana para esculpir a mente. (...) dizemos no yoga que o sutil precede o grosseiro, ou seja, o espírito precede a matéria. Mas o yoga também diz que devemos primeiro lidar com o exterior, ou o mais manifesto — isto é, pernas, braços, coluna, olhos, língua, tato —, para desenvolver sensibilidade ao movimento interno. É por essa razão que o asana abre todo o espectro de possibilidades do yoga. Não pode haver realização espiritual e existencial sem o suporte do veículo encarnado da Alma, o corpo de carne e osso, desde os ossos até o cérebro. (...)
A 4ª pétala diz respeito às técnicas de respiração, ou pranayama (prana, energia vital ou cósmica; ayama, extensão, expansão). O alento é veículo da consciência. (...) Como a respiração acalma a mente, nossas energias ficam liberadas para desatrelar-se dos sentidos, voltar-se para dentro e lançar-se na busca interior com uma consciência mais aguçada e dinâmica. (...)
O recolhimento dos sentidos na mente (pratyahara) é a 5ª pétala do yoga, também chamada de eixo da busca interior e exterior. (...) Quando os sentidos da percepção se voltam para dentro, experimentamos o controle, o silêncio e a quietude da mente. Essa capacidade de aquietar e aos poucos silenciar a mente é essencial não apenas para a meditação e a jornada interior, mas também para que a inteligência intuitiva funcione de maneira útil e benéfica no mundo externo. (...)
As últimas três pétalas são concentração (dharana), meditação (dhyana) e absorção completa (samadhi), (...) ou o yoga da integração final (samyama yoga). (...)
Na escola aprendemos a prestar a atenção, mas não é a isso que se refere a concentração no yoga. Quando vemos um cervo na floresta, não dizemos: “veja, ele está se concentrando”. O cervo está em um estado de completa e vibrante percepção, em cada célula do corpo. É um engano comum achar que estamos nos concentrando porque fixamos a atenção em coisas instáveis, como uma partida de futebol, um filme, um romance, as ondas do mar, a chama de uma vela. (...) A verdadeira concentração é um fio de percepção contínuo. Descobrir de que maneira a vontade, trabalhando com a inteligência e a consciência auto-reflexiva, pode nos libertar da inevitável inconstância da mente e dos sentidos, sempre voltados para fora — é esse o objetivo do yoga. Aqui, o asana é de grande serventia para nós. (...)
Quando se consegue explorar, ajustar e sustentar cada novo ponto (em um asana), a percepção e a concentração se dirigem simultaneamente a milhares de pontos, e, com efeito, a própria consciência se torna penetrante e abrangente, iluminada por um fluxo dirigido de inteligência e atuando como testemunha transformadora do corpo e da mente. Esse é o fluxo de concentração (dharana) que leva a uma percepção elevada. (...)
(...) Um jeito simples de frisar a relação entre asana e dharana é o seguinte: se você aprende uma porção de pequenas coisas, um dia acabará conhecendo uma coisa grande.
Em seguida vem a meditação (dhyana). (...) Em termos técnicos, a verdadeira meditação, na acepção que lhe atribui o yoga, não pode ser praticada por alguém que se encontra sob estresse ou que tem um corpo frágil, pulmões fracos, músculos retesados, coluna envergada, mente flutuante, agitação mental ou timidez. (...)Para tanto, precisamos da preparação que nos oferecem as posturas e a respiração, o recolhimento dos sentidos e a concentração.
É por meio do asana que conseguimos relaxar o cérebro. (...)
(...) Yama, niyama, asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi, juntas, são as pétalas do yoga. A meditação está em tudo. Todas as pétalas requerem um estado reflexivo ou meditativo.
O asana e o pranayama reduzem o estresse que impregna o cérebro; com o cérebro em repouso, a tensão é liberada. Da mesma maneira, ao realizar todos os tipos de pranayama, o corpo todo é irrigado de energia. Para praticar pranayama, é preciso ter músculos e nervos fortes, concentração e persistência, determinação e resistência. Tudo isso se aprende com a prática do asana. Os nervos relaxam, o cérebro, e o retesamento e a rigidez dos pulmões se desfazem. Os nervos são auxiliados a permanecer sadios. Você imediatamente alcança a unidade consigo mesmo, e isso é meditação. (...)
(...) A dualidade é a semente do conflito. Todos, porém, temos acesso a um espaço, um espaço interior, em que a dualidade e o conflito chegam ao fim. É isso que nos ensina a meditação: a cessação do ego artificioso e o despontar do Eu verdadeiro, unificado, além do qual nenhum outro existe. (...)
(...) O asana e o pranayama são o aprendizado para transcender a dualidade. (...) Embora, a rigor, só possamos meditar num único asana, é possível executar todos eles em um estado de meditação, e é nisso que se converteu minha prática hoje em dia. Meu asana é meditativo e minha prática de pranayama, devocional. (...)
No estágio final de samadhi (união), o eu individual, com todos os seus atributos, se funde com o Eu Divino, com o Espírito Universal. Os iogues entendem que o divino não está só no céu, mas dentro de nós também, e, nessa busca final da Alma, os que buscam se tornam os que vêem. Assim, experimentam o divino no centro do seu ser. Samadhi geralmente é descrito como a liberdade final, a libertação da roda do karma, da lei da causa e efeito. Ele nada tem que ver com a perpetuação do nosso eu mortal. Samadhi é uma oportunidade de encontrar nosso Eu imperecível antes que o efêmero veículo corpóreo desapareça, como é certo que o fará, em obediência ao ciclo da natureza.
Os iogues não permanecem nesse estágio de elevada beatitude, mas, quando retornam ao mundo, suas ações são diferentes, pois sabem, no íntimo do seu ser, que o divino nos une a todos e que uma palavra ou ação dirigida ao outro é ao fim e ao cabo, igualmente dirigida a si mesmo.
(...) A profunda e transformadora jornada iogue que aguarda os que procuram a Verdade consiste na busca interna de crescimento e evolução, ou “involução”. Iniciamos essa involução com o que há de mais tangível, nosso corpo físico, e a prática de yogasana nos ajuda a entender e aprender a tocar esse magnífico instrumento que foi dado a cada um de nós.

Trechos da Introdução do livro “A Luz na Vida”, de B.K.S. Iyengar (Summus Editorial).

2 de abril de 2011

Saudade da Índia

Sexta, 1º dia do 16º Festival É Tudo Verdade. Assisti Sáris Cor-de-Rosa no Reserva Cultural, sobre uma mulher que se tornou referência para muitas outras maltratadas na região onde mora. Mais tarde, comi um delicioso Masala Dosa recheado com batatas, acompanhado por Sambar e Chutney de Coco no Madhu (Augusta, 1422).
Aqui em SP, o filme Sáris Cor-de-Rosa, da diretora Kim Longinotto, ainda vai passar dia 5 às 19h no Reserva. Veja a programação do Festival em www.etudoverdade.com.br





16 de março de 2011

I.1 atha yoganusasanam



... (agora começa a exposição da sagrada arte do yoga)
I.2 yogah cittavrtti nirodhah (yoga é a cessação dos movimentos na consciência)
I.3 tada drastuh svarupe avasthanam (então, o observador habita em seu próprio esplendor)
I.4 vrtti sarupyam itaratra (em outros momentos, o observador se identifica com a consciência flutuante)

Nos 4 primeiros aforismos dos seus "Yoga Sutras", Patanjali apresenta e resume os ensinamentos dos 190 restantes. Durante o retiro, nas práticas de asana ou pranayama e nas conversas sobre filosofia, a atenciosa Karin O'Bannon nos presenteou com várias "jóias" do yoga, sempre com muito carinho, paciência e atenção.

5 de março de 2011

Intensivo Corine e Jordi na fazenda Maristela













De 23 a 27 de Fevereiro, mais de 60 professores de yoga se reuniram em Tremembé, interior de SP próximo a Campos do Jordão, para participar de um Intensivo ministrado por Corine Biria e Jordi. Esse foi o 1º dos 3 cursos programados para acontecer nos próximos 2 anos na mesma fazenda. Foram 12 horas por dia, respirando ar puro e muito yoga! E veio gente do Brasil todo e alguns de fora do país, a maioria sul-americanos, mas conhecemos uma russa que mora no Panamá. Na sala de prática, nos corredores e no restaurante ouvia-se uma mistura de sotaques e idiomas: inglês, francês, português, espanhol, castelhano...
As práticas começavam às 8h com asanas e em seguida pranayamas. O jejum terminava com o almoço servido às 13h — antes das práticas de asanas e pranayamas só eram servidas bebidas. À tarde, tínhamos uma aula de sequências especiais e terapêuticas e em seguida 2 horas de prática e didática de invertidas até às 20h.
Em um dos intervalos depois do almoço, aproveitei para caminhar um pouco. Um silêncio delicioso tomou conta de mim!