palavras do Guruji

viagens pelo mundo afora e pelo universo dentro de mim


"Você não precisa viajar a um lugar remoto para buscar a liberdade; ela habita seu corpo, seu coração, sua mente, sua Alma. A emancipação iluminada, a liberdade, a pura e imaculada felicidade estão a sua espera, mas você precisa escolher embarcar na jornada interior para descobri-las."
B.K.S. Iyengar em Luz na Vida

5 de novembro de 2008

desabafo - sem foto

“A Terra perdeu, em pouco mais de um quarto de século, quase um terço de sua riqueza biológica e recursos, e no atual ritmo, a humanidade necessitará de dois planetas em 2030 para manter seu estilo de vida, advertiu hoje o Fundo Mundial para a Natureza. A demanda da população excede em cerca de 30% a capacidade regeneradora da Terra, segundo o Relatório Planeta Vivo 2008, divulgado por esta organização ambientalista a cada dois anos sobre a situação ambiental dos ecossistemas.”

Recebi um e-mail já há uns dias com este texto. Acabei de ler e fiquei pensando... Ontem assisti o programa da Oprah no GNT. Peguei o programa pela metade, mas o assunto era a votação de uma certa lei na Califórnia que obrigaria os criadores de animais de corte daquele Estado americano a criá-los de forma orgânica, isso é de maneira menos cruel. Ouvi os dois lados da questão. De um lado os tradicionais "criadores" (a palavra mais correta seria "matadores") alegando que com a aprovação da nova lei, todos entrariam em falência e os preços das carnes subiria consideravelmente. De outro lado, os representantes das fazendas "orgânicas" defendendo o melhor tratamento empregado aos animais.
Eu, pessoalmente, não concordo nem com um, nem com outro método. Mas como nem todos conseguem (ou não querem) adotar uma dieta vegetariana, e se é inevitável o “criar para comer depois”, que no mínimo, os animais vivam decentemente, em ambientes saudáveis juntos de suas crias, bem alimentados, em espaços amplos e agradáveis.
O que me chamou muito a atenção foi que nem por um momento foi discutida a necessidade da população de, se ainda não é possível parar de vez, pelo menos diminuir e muito a quantidade do consumo de carnes. A equação é simples: muita procura gera muita produção e incentiva a criação das chamadas fazendas-fábricas de carne, onde os animais vivem estressados, amontoados e infelizes. Aqui vale o comentário: o dono de uma criação de porcos disse que não saberia medir a felicidade de seus animais. Mesmo assim, este senhor, que cria suas porcas trancadas em “celas” de 2 metros por 1, sendo que elas têm 1.80 metros de comprimento, acredita que elas estejam ao menos confortáveis (!?).
Mudando a maneira de criar os animais, com mais espaço, “felizes” no pasto, os preços teoricamente subiriam, mas se + pessoas pagarem + para ter estes produtos orgânicos à mesa, teoricamente também, os preços cairiam. O que o povo quer é continuar a consumir a quantidade absurda de carne que vem consumindo, pagando baratinho, baratinho e ainda não judiando muito dos animais para que consigam dormir mais tranquilamente à noite.
O que tem que começar a ser questionado é o que o texto entre aspas acima nos chama a atenção.
A Terra não consegue suprir as expectativas de uma civilização altamente consumista como a que existe hoje. As produções em larga escala que bombardeiam as plantações dos alimentos com uma porrada de agrotóxicos exaurindo a terra até o último respiro vem provando que estão completamente por fora da nova ordem mundial.
É difícil de entender como as pessoas podem continuar comendo “foie gras” (fígado gordo), que é o fígado de um ganso ou pato que foi super-alimentado; ou a macia vitela (baby beef), que é a carne de bezerros machos que vivem confinados, depois de saberem a origem destas “iguarias”. E não são só as carnes o problema; ovos e leite também. Vocês sabiam que o baby beef foi “inventado” para aproveitar os bezerros machos que nasciam das vacas leiteiras, que antes eram sacrificados logo que nasciam e não geravam lucro nenhum? Agora eles são separados das vacas, que reclamam a falta deles, são colocados em celas minúsculas para que não se movimentem. Alimentados com uma dieta líquida muito pobre em ferro (tudo pela maciez da carne!), precisam ser carregados para o abate, porque não conseguem andar nem para a morte...
Estou muito triste com tudo isso! E este é o meu desabafo!

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